Introdução: Nossa hipótese era de que residentes de Anestesiologia poderiam realizar hiperventilação e compressões torácicas com pior qualidade quando comparadas a residentes de Cardiologia, ambos de um hospital terciário.
 

Métodos: Comparamos 11 residentes de Cardiologia (Grupo A) com 10 residentes de Anestesiologia (Grupo B. A avaliação consistiu em dois minutos de BLS e dois minutos de ACLS utilizando “Resusci Anne manikin PC skill reporting system”.

Resultados: Não houve diferença significativa entre os sexos de ambos os grupos. Comparando o Grupo A com o Grupo B: durante os dois minutos de BLS a porcentagem de compressões com profundidade adequada foi de 63.9%  vs. 72.0%, a média da profundidade das compressões de 46,8mm ± 6.8 vs. 44.7mm ± 5.3, correta posição das mãos  97.8% vs. 77.8% não revelaram diferença significativa (p=0.4262, p=0.5573, p=0.5116, respectivamente). A média de compressões por minuto (100.5 ± 9.1 vs. 110.4 ± 12.8, e o número de ventilações 10.2 ± 1 vs. 11.9 ± 2.2 foram significativamente distintos entre os grupos sendo p=0.0430 e p=0.0127, respectivamente. Durante os dois minutos de ACLS, o único parâmetro com diferença estatística significativa foi a média de compressões por minuto: 99.36 ± 9.3 vs. 110.60 ±11.7, p=0.0295. A média de compressões com profundidade adequada 51.1% vs. 61.1%, a media da profundidade  43,0mm ± 8.2 vs. 42.7mm ± 6.2, a correta posição das mãos 98.9% vs. 90.0%, o número de ventilações em dois minutos 15.6 ± 3.2 vs. 17 ± 2.8 não revelaram diferença notória (p=0.4679, p=0.6539, p=0.6047, p=0.1971, respectivamente).

Conclusão: Durante a avaliação de BLS, residentes de Anestesiologia realizaram compressões torácicas com frequência maior e consequentemente mais ventilações. Já durante a avaliação de ACLS, embora os residentes de Anestesiologia realizassem um  maior número de compressões por minuto, não foi observado diferença quanto ao número de ventilações e outros parâmetros da qualidade de RCP. Esses resultados, portanto, reforçam a necessidade de dispositivos de “feedback” sobre a qualidade da RCP realizada a fim de que se aumente a sobrevida dos pacientes.