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SUN Virtual - Setembro/2026 | Avaliação por Simulação: Desafios, Evidências e Experiências em OSCE
- Qual é o tempo considerado adequado para avaliar cada estação? No meu caso, na Universidade San Gregorio de Portoviejo, realizamos um OSCE com três estações (Anamnese, Exame Físico e Diagnóstico Sindrômico). Utilizo 10 minutos em cada estação, com 2 minutos para a troca. O exame físico tem apenas três manobras, além de tudo o que envolve examinar (informar, obter consentimento e aplicar medidas de biossegurança). Você considera esse tempo adequado ou ele pode variar entre as estações?
Profa. Milena Colonhese - Considero que 10 minutos por estação, com 2 minutos para a troca, pode ser um tempo bastante adequado, desde que esteja alinhado aos objetivos e às tarefas que se espera que o estudante realize. Outro ponto a ser considerado é o número de estudantes a serem avaliados. O tempo deve ser definido considerando qual competência está sendo avaliada, o número de tarefas previstas e a complexidade da estação. No exemplo apresentado, uma estação de exame físico que inclui orientar o paciente, obter o consentimento, realizar as medidas de biossegurança e executar corretamente três manobras pode justificar os 10 minutos. O mais importante é verificar, por meio de pilotagem da estação, se o estudante que será avaliado consegue concluir as tarefas com segurança e dentro do tempo previsto. Também é importante lembrar que, para a confiabilidade do OSCE, geralmente é mais relevante garantir uma boa amostragem de competências e conteúdos por meio de um número adequado de estações do aumentar o tempo de uma única estação. No caso específico apresentado, com apenas três estações, eu teria inclusive uma atenção especial não apenas à duração, mas também à amostragem das competências avaliadas, pois um número reduzido de estações pode limitar a representatividade do desempenho global do estudante.
- No OSCE que aplicamos na universidade onde leciono, há dois avaliadores por estação. Esse número de observadores é adequado ou pode haver mais ou menos?
Profa. Milena Colonhese - Dois avaliadores por estação é um número adequado e pode contribuir para aumentar a confiabilidade da avaliação, especialmente quando se trata de um OSCE de maior impacto ou quando existe um componente importante de julgamento clínico.
Entretanto, não existe a obrigatoriedade de dois avaliadores em todas as estações. É possível realizar estações com apenas um avaliador, desde que ele esteja adequadamente treinado, os critérios de avaliação estejam bem definidos e o instrumento seja coerente com os objetivos da estação.
Na prática, precisamos considerar também a viabilidade. Colocar dois ou mais avaliadores em todas as estações aumenta significativamente a necessidade de recursos humanos e nem sempre proporciona um ganho de confiabilidade proporcional a esse investimento.
Um aspecto importante é que a confiabilidade do OSCE não depende apenas do número de avaliadores. Ela é influenciada por vários componentes, como número e amostragem das estações, treinamento e calibração dos avaliadores, qualidade do checklist ou da escala global e padronização dos casos e pacientes simulados.
Por isso, quando os recursos são limitados, muitas vezes pode ser mais vantajoso investir em mais estações e melhor treinamento dos avaliadores do que simplesmente aumentar o número de observadores dentro de uma mesma estação.No caso de vocês, utilizar dois avaliadores por estação é perfeitamente justificável. Eu recomendaria também analisar posteriormente a concordância entre esses avaliadores.
- Como vocês treinam os pacientes simulados sem que eles revelem aos estudantes que farão o OSCE o conteúdo que será abordado?
Profa. Milena Colonhese - Para reduzir o risco de vazamento, adotamos um cuidado importante: o paciente simulado só recebe o roteiro específico da estação no dia do OSCE, após chegar ao local e guardar seus equipamentos eletrônicos. A partir desse momento, realizamos o treinamento e a padronização da atuação, reforçando também a confidencialidade das informações. Dessa forma, diminuímos bastante a possibilidade de compartilhamento prévio do conteúdo da avaliação com os estudantes. Mas antes esse paciente simulado já passou por oficinas de treinamento sobre o OSCE.
- O OSCE pode incluir a habilidade de redigir histórias clínicas?
Profa. Milena Colonhese - Sim. O OSCE pode incluir a habilidade de registro e elaboração da história clínica, desde que essa competência esteja prevista nos objetivos da avaliação. Por exemplo, após realizar uma anamnese ou atender um paciente simulado, o estudante pode ser solicitado a registrar informações relevantes no prontuário, elaborar uma evolução clínica, registrar hipóteses diagnósticas ou documentar a conduta. Outra possibilidade é fazer prescrição por escrito, receita, etc. Nesse caso, é importante definir previamente quais elementos do registro serão avaliados e estabelecer critérios objetivos no instrumento de avaliação. Inclusive, essa pode ser uma excelente forma de avaliar não apenas a coleta de informações, mas também a capacidade do estudante de selecionar, organizar e comunicar adequadamente as informações clínicas.
- O OSCE pode oferecer feedback imediato ao estudante ao final da avaliação ou ele deve ser realizado de outra forma, ou até mesmo não ser incluído? Não costumamos dar feedback imediato. Fazemos uma devolutiva geral e direcionada a quem foi reprovado e fará a recuperação.
Profa. Milena Colonhese - Sim, o OSCE deve incluir feedback, mas ele não precisa necessariamente ser imediato. Isso depende principalmente da finalidade da avaliação. Em um OSCE formativo, o feedback imediato pode ser muito útil para a aprendizagem. Já em um OSCE somativo, o feedback imediato pode deixar o aluno mais ansioso. Nesse caso, considero adequada a estratégia de oferecer o feedback após a conclusão do processo avaliativo, de forma geral. Entretanto, sempre que possível, é interessante que todos os estudantes tenham alguma oportunidade de receber feedback.
- Os participantes têm acesso ao instrumento antes da aplicação?
Profa. Milena Colonhese - Não! Eles não têm acesso ao instrumento. Principalmente se você estiver fazendo um OSCE somativo, não justifica o estudante ter acesso ao instrumento da prova.
- Sobre o OSCE online: qual ferramenta foi utilizada? Paciente 360? Houve algum problema nas gravações?
Profa. Milena Colonhese - No OSCE online utilizamos uma plataforma criada para essa avaliação e não tivemos problemas com a gravação.
- Na minha realidade, não temos treinamento dos professores e eles interagem com os alunos durante o OSCE. Como amenizar isso na avaliação, considerando que essa interação é uma queixa dos estudantes?
Profa. Milena Colonhese - Essa é uma situação que merece atenção, porque, no OSCE, o ideal é que a atuação do avaliador seja padronizada. Interações não previstas podem fornecer pistas, direcionar respostas ou gerar condições diferentes entre os estudantes. Mesmo quando não é possível realizar um treinamento formal dos professores, algumas medidas simples podem reduzir esse problema. Antes do OSCE, pode ser feita uma orientação breve com os avaliadores, deixando claro quando podem ou não interagir e quais respostas devem oferecer caso o estudante faça alguma pergunta. Também é muito útil incluir no roteiro do avaliador frases padronizadas, como: “realize a atividade conforme solicitado no enunciado” ou “não posso fornecer essa informação” ou “ Observe a tarefa item 2”. O objetivo não é impedir toda comunicação, mas garantir que todos os estudantes recebam o mesmo tipo de interação, preservando a equidade e a padronização da avaliação.
- Como vocês gerenciam a avaliação, por exemplo, quando utilizam rubricas impressas, para digitalizar as informações e sistematizar os dados?
Profa. Milena Colonhese - Essa é uma questão muito importante. Quando a avaliação ainda é realizada em checklists impressos, uma possibilidade é posteriormente transferir os resultados para uma planilha ou banco de dados digital, permitindo sistematizar e analisar as informações. Entretanto, sempre que houver estrutura disponível, o ideal é utilizar instrumentos digitais já durante o OSCE, como formulários eletrônicos em tablets ou computadores. Isso reduz o trabalho de digitação, diminui erros de transcrição e facilita a análise dos resultados por estudante, estação, competência e até por avaliador. Independentemente da ferramenta utilizada, o mais importante é que o instrumento digital mantenha os mesmos critérios da rubrica original e que exista um cuidado especial com segurança, confidencialidade e armazenamento dos dados.
- Professora, existe alguma pesquisa sobre a percepção dos estudantes ao comparar o OSCE com uma avaliação oral realizada por uma banca médica?
Profa. Milena Colonhese - Sim, existem estudos que avaliam a percepção dos estudantes sobre o OSCE e também trabalhos que o comparam com outros métodos tradicionais de avaliação clínica, incluindo exames orais.Entretanto, eu teria cautela em indicar uma escala específica e universalmente validada para comparar diretamente OSCE versus exame oral diante de uma comissão médica. Muitos estudos utilizam questionários próprios, avaliando aspectos como justiça, objetividade, nível de estresse, dificuldade, representatividade da prática clínica e satisfação. Se a intenção for realizar uma pesquisa com essa comparação, é importante primeiro definir quais dimensões da percepção se deseja avaliar e, a partir disso, buscar um instrumento validado ou desenvolver/adaptar um questionário com o devido processo de validação.
- No início da implementação do OSCE, os estudantes não estão familiarizados com a técnica. Como vocês evitam que a inexperiência com o formato prejudique a avaliação? Quantas tentativas por estudante proporcionam melhores resultados? Vocês têm isso quantificado?
Profa. Milena Colonhese - Esse é um cuidado muito importante na implantação do OSCE. Quando o estudante não conhece o formato da avaliação, parte do desempenho pode refletir a falta de familiaridade com o método, e não necessariamente a competência clínica que queremos avaliar. Por isso, antes de utilizar o OSCE com finalidade somativa, recomendamos oferecer oportunidades de familiarização com o formato: explicar a dinâmica, apresentar exemplos de instruções, permitir que o estudante conheça o tempo e a sinalização das estações e, se possível, realizar previamente atividades ou estações de caráter formativo. Não existe um número universal de tentativas que garanta melhor desempenho. O mais importante é que o estudante tenha tido exposição suficiente ao método antes de uma avaliação de alto impacto. Na nossa experiência, os estudantes têm contato com atividades de simulação e com a dinâmica do OSCE antes das avaliações somativas, chamado “S.O.S. OSCE”. Dessa forma, procuramos reduzir o “efeito novidade” e fazer com que o resultado represente melhor a competência que realmente queremos avaliar.
- Excelente apresentação. Gostaria de conhecer os tempos utilizados em cada estação. Quando temos muitos estudantes e quatro avaliadores, considero importante que o estudante leia a pergunta e responda de forma objetiva.
Profa. Milena Colonhese - Muito obrigada! Na nossa experiência, utilizamos 7 minutos por estação: 1 minuto para leitura do enunciado e 6 minutos para a execução da tarefa. Com um número elevado de estudantes, é realmente importante que o enunciado seja claro, objetivo e compatível com o tempo disponível. O estudante precisa compreender rapidamente o que se espera dele, e as tarefas devem estar direcionadas às competências que queremos observar. Entretanto, o tempo não deve ser definido apenas pela quantidade de estudantes ou avaliadores. Ele precisa ser suficiente para que o estudante demonstre a competência proposta sem transformar a velocidade de execução em um critério de avaliação. Por isso, recomendamos também testar previamente a estação, verificando se as tarefas previstas podem ser realizadas adequadamente dentro do tempo estabelecido.
- Gratidão, professora Milena. Tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente no congresso SUN. Minha dúvida é sobre a construção do blueprint.
Profa. Milena Colonhese - Muito obrigada! Fico muito feliz que tenhamos nos conhecido no SUN!Na construção do blueprint, o primeiro passo é definir claramente quais competências e conteúdos o OSCE pretende avaliar. A partir disso, fazemos uma matriz relacionando, por exemplo, os principais problemas ou situações clínicas com os domínios de competência: comunicação, anamnese, exame físico, raciocínio clínico, tomada de decisão, procedimentos e segurança do paciente. Depois, distribuímos essas competências entre as estações, verificando se o conjunto da prova apresenta uma amostragem equilibrada e representativa dos objetivos de aprendizagem. O blueprint deve ser construído antes das estações: primeiro definimos o que precisa ser avaliado e somente depois elaboramos os casos e os checklists. Isso evita escolher bons casos que, no conjunto, não representam adequadamente o currículo.
- Em relação à ambientação dos alunos com o OSCE, quantas aulas práticas a professora recomenda antes da avaliação?
Profa. Milena Colonhese - Não existe um número específico de aulas práticas recomendado para todos os contextos. O mais importante é que, antes de um OSCE somativo, o estudante já esteja familiarizado com a dinâmica da avaliação.
Recomendo realizar pelo menos uma atividade de ambientação ou um OSCE formativo, para que o estudante conheça o funcionamento das estações, o tempo, a leitura do comando, a sinalização e o tipo de interação esperada. Além disso, as habilidades clínicas avaliadas devem ter sido previamente ensinadas e praticadas ao longo da formação. Assim, no dia do OSCE, estamos avaliando a competência clínica, e não a capacidade do estudante de se adaptar a um formato de prova que desconhece.
- Você considera que o estresse causado pela prova deveria levar à suspensão do exame? Que estratégia deve ser utilizada para reduzir a ansiedade e o estresse relatados? Obrigada.
Profa. Milena Colonhese - O estresse relatado pelos estudantes, por si só, não é motivo para deixar de utilizar o OSCE. Avaliações de desempenho naturalmente podem gerar ansiedade, especialmente quando possuem caráter somativo. Entretanto, precisamos evitar que o estresse seja provocado por fatores que não fazem parte da competência que queremos avaliar. Algumas estratégias ajudam bastante: familiarização prévia com o formato, OSCE formativo, orientações claras, ambiente acolhedor, tempo adequado e padronização das instruções e dos avaliadores. Também é importante ouvir os estudantes após a avaliação e identificar quais aspectos estão gerando maior ansiedade. O objetivo não é eliminar completamente o estresse, mas reduzir barreiras desnecessárias para que o desempenho observado represente, de fato, a competência do estudante. Não tem como ter OSCE sem estresse.
- Qual é a diferença entre feedback e debriefing no OSCE?
Profa. Milena Colonhese - O feedback é uma informação oferecida ao estudante sobre seu desempenho: o que realizou adequadamente, o que precisa melhorar e, idealmente, como pode avançar. Pode ser breve, individual ou coletivo. O debriefing é um processo reflexivo mais estruturado, realizado após uma experiência de simulação. Nele, o facilitador conduz o estudante a analisar suas ações, seu raciocínio e suas decisões, buscando compreender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu e como melhorar. No OSCE somativo, geralmente falamos mais em feedback após a avaliação. Já em atividades de simulação formativa, o debriefing tem um papel educacional muito mais amplo. Resumindo: todo debriefing pode conter feedback, mas nem todo feedback é um debriefing.
- Ao realizar o feedback coletivo, os estudantes não se unem mais, dando margem a reclamações?
Profa. Milena Colonhese - Sim, o feedback coletivo pode gerar mais discussões e questionamentos entre os estudantes, principalmente quando eles começam a comparar suas experiências nas estações. Mas isso não significa que ele deva ser evitado. O cuidado é fazer um feedback coletivo estruturado, abordando os objetivos da estação, os erros mais frequentes e os pontos importantes de aprendizagem, sem discutir notas ou desempenhos individuais. Os questionamentos também podem ser úteis para identificar problemas reais da avaliação. Se vários estudantes apontam a mesma dificuldade em uma estação, por exemplo, isso pode indicar a necessidade de revisar o enunciado, o checklist, a atuação dos avaliadores ou a própria padronização da estação. Já as questões individuais relacionadas à nota ou ao desempenho específico devem ser tratadas separadamente, por meio de um processo de revisão previamente estabelecido pela instituição.
- Como evitar que quem já saiu do OSCE passe as respostas para quem ainda aguarda entrar? Os alunos ficam isolados? Temos dificuldade para fiscalizar o uso de eletrônicos.
Profa. Milena Colonhese - Sim, todos os alunos ficam isolados em uma sala antes de iniciar a prova. Na chegada é passado detector de metais. Os que vão fazendo a prova e saindo, não tem acesso a sala onde os demais estão. Mas, mesmo assim, não é 100% garantido.
- É possível e adequado realizar o OSCE em grupo, por exemplo, para avaliar reanimação?
Profa. Milena Colonhese - Não tenho essa experiência de OSCE em grupo. Mas, é possível realizar uma estação com mais de um estudante, especialmente em situações como reanimação cardiopulmonar, nas quais competências de trabalho em equipe, liderança, comunicação e distribuição de funções fazem parte dos objetivos. Porém, se o OSCE tiver finalidade somativa e a nota for individual, é fundamental que o instrumento permita identificar claramente o desempenho de cada estudante. Caso contrário, existe o risco de avaliarmos o desempenho do grupo e não a competência individual. Uma estratégia é definir previamente os papéis ou realizar rodízio de funções, utilizando critérios específicos para cada participante. Portanto, a estação em grupo é adequada quando o trabalho em equipe também é uma competência que queremos avaliar. Se o objetivo for avaliar exclusivamente uma habilidade individual de reanimação, prefiro uma estação individual.
- Como lidar com o cansaço dos avaliadores que passam horas ouvindo estudantes na mesma estação? É recomendável trocá-los de estação para reduzir a fadiga?
Profa. Milena Colonhese - Sim, a fadiga do avaliador é um aspecto importante no planejamento do OSCE, principalmente em avaliações longas e com muitos estudantes. Algumas estratégias são programar intervalos regulares, limitar períodos muito prolongados de avaliação e, quando houver avaliadores disponíveis, realizar revezamentos. Eu teria cautela, porém, em trocar frequentemente o avaliador de estação, porque isso pode aumentar a variabilidade da avaliação. Se houver rodízio, é importante que os avaliadores estejam previamente treinados e calibrados para a nova estação, conhecendo muito bem o caso e os critérios de avaliação. Portanto, antes de trocar avaliadores entre diferentes estações, eu priorizaria pausas planejadas e substituição por outro avaliador previamente treinado para aquela mesma estação. Assim conseguimos reduzir a fadiga sem comprometer a padronização. Inclusive a fadiga do avaliador, pode favorecer ou prejudicar a avaliação dos alunos que ficam para o final da prova.
- Em relação à avaliação online, como garantir que os estudantes adquiram as competências se não estamos com eles e eles podem utilizar outras formas de ajuda?
Profa. Milena Colonhese - Essa é uma preocupação muito importante. O OSCE online não deve ser utilizado para avaliar todas as competências da mesma forma que o presencial. Competências psicomotoras e procedimentos técnicos, por exemplo, são melhor avaliados presencialmente. Já o formato online pode ser bastante útil para avaliar raciocínio clínico, tomada de decisão, comunicação, interpretação de informações e resolução de casos. Em relação ao uso de outras ajudas, o desenho da avaliação deve prever estratégias para reduzir esse risco, com tempo controlado, orientações claras, casos que exijam raciocínio e não apenas consulta de informações e, quando possível, registro da realização da atividade. Portanto, mais do que tentar reproduzir o OSCE presencial no ambiente virtual, precisamos definir qual competência queremos avaliar e qual formato oferece a melhor evidência daquele desempenho. Por isso, considero muito interessante pensar em um modelo híbrido, utilizando presencial e online de forma complementar.
- O OSCE pode ser aplicado a uma equipe de atendimento?
Profa. Milena Colonhese - Não sei se entendi a pergunta. Você está falando sobre uma estação de equipe? Apesar de não ter experiência com esse modelo, sim o OSCE pode incluir estações realizadas em equipe, principalmente quando o objetivo é avaliar competências como comunicação, liderança, trabalho em equipe, distribuição de funções e tomada de decisão conjunta, por exemplo, em uma situação de emergência. O cuidado principal é definir previamente se o objeto da avaliação é a equipe ou cada estudante individualmente. Se a nota for individual, o instrumento precisa permitir identificar claramente o desempenho de cada participante. Portanto, é possível e pode ser muito pertinente, desde que o formato da estação esteja alinhado às competências que se pretende avaliar.
- No OSCE, é sempre necessário haver avaliador e observador ou apenas o avaliador pode permanecer no cenário?
Profa. Milena Colonhese - Não é obrigatório ter avaliador e observador em todas as estações do OSCE. Uma estação pode funcionar perfeitamente com apenas um avaliador, desde que ele esteja treinado, conheça os objetivos da estação e utilize critérios de avaliação bem definidos e padronizados. Inclusive, quando a estrutura permite, o avaliador pode observar de fora do cenário ou por meio de vídeo, reduzindo sua interferência no desempenho do estudante. Mais importante do que a quantidade de pessoas presentes é garantir padronização, treinamento dos avaliadores e condições semelhantes para todos os estudantes.
- Quais temáticas são comumente utilizadas no OSCE online?
Profa. Milena Colonhese - No OSCE online, são mais adequadas as situações em que a competência pode ser demonstrada sem depender da execução presencial de um procedimento psicomotor. Podemos trabalhar, por exemplo, anamnese, comunicação clínica, orientação ao paciente, comunicação de más notícias, raciocínio clínico, interpretação de exames, diagnóstico diferencial, tomada de decisão, prescrição e definição de condutas. Também podem ser utilizados casos de diferentes áreas, como clínica médica, pediatria, cirurgia, saúde mental e urgência, desde que o objetivo da estação seja compatível com o ambiente virtual. O mais importante é não escolher a temática apenas porque ela “funciona online”, mas perguntar primeiro: qual competência quero avaliar e o ambiente online permite observá-la adequadamente?
- Como o OSCE é alinhado ao currículo de competências e aos resultados de aprendizagem?
Profa. Milena Colonhese - O alinhamento começa antes da elaboração das estações, a partir das competências e dos resultados de aprendizagem previstos no currículo. Primeiro identificamos o que o estudante deve ser capaz de demonstrar naquele momento da formação. Depois, por meio do blueprint, distribuímos essas competências e conteúdos entre as estações, garantindo uma amostragem representativa do currículo. A partir daí são construídos os casos, as tarefas e os instrumentos de avaliação, sempre mantendo a sequência: resultado de aprendizagem, competência a ser demonstrada, tarefa da estação, critério de avaliação. Assim, evitamos elaborar primeiro um “caso interessante” e depois tentar encaixá-lo no currículo. No OSCE, cada estação deve produzir evidências de que o estudante alcançou os resultados de aprendizagem previamente definidos.
- Você tem experiência em utilizar monitores de semestres mais avançados para avaliar o OSCE de estudantes dos semestres iniciais de medicina? Um monitor discente pode atuar como avaliador no OSCE?
Profa. Milena Colonhese - Eu, particularmente, não tenho experiência utilizando monitores discentes como avaliadores no OSCE. É possível encontrar experiências envolvendo estudantes mais avançados em atividades de avaliação e feedback entre pares, principalmente em contextos formativos. Entretanto, em um OSCE somativo, especialmente de maior impacto, eu teria mais cautela. O avaliador precisa compreender muito bem a competência avaliada, aplicar os critérios de forma consistente e estar adequadamente treinado e calibrado. Além disso, devem ser considerados possíveis conflitos de interesse e a relação entre os estudantes. Assim, vejo maior possibilidade de participação do monitor em OSCEs formativos, treinamento ou apoio operacional. Para utilizá-lo como avaliador em uma prova somativa, seria necessário estabelecer critérios institucionais claros, treinamento e evidências de que essa participação não compromete a confiabilidade e a equidade da avaliação. Já tivemos presença de residentes auxiliando em OSCE e não foi muito boa a experiência por parte da aceitação dos estudantes que estavam sendo avaliados.
- Como vocês analisam a aprendizagem dos estudantes?
Profa. Milena Colonhese - Analisamos a aprendizagem não apenas pela nota final do OSCE, mas também pelo desempenho em cada estação e em cada competência avaliada. Podemos observar, por exemplo, resultados em comunicação, exame físico, raciocínio clínico, tomada de decisão, procedimentos e segurança do paciente, identificando quais competências estão consolidadas e quais apresentam maior dificuldade. Também é muito importante realizar uma análise pós-OSCE, verificando os itens com maior número de erros, o desempenho entre as estações e os comentários dos avaliadores. E, quando queremos realmente analisar a evolução da aprendizagem, o ideal é acompanhar o estudante longitudinalmente, utilizando diferentes momentos e métodos de avaliação. O OSCE fornece uma evidência importante, mas não deve ser a única evidência da aprendizagem.
- No meu local de trabalho, estamos iniciando um treinamento sobre o modelo MESAS (Modelo de Treinamento com Simulação para a Aprendizagem Significativa), no qual uma pessoa realiza a técnica, outra atua como assistente, outra avalia e uma quarta pessoa avalia o avaliador.
Profa. Milena Colonhese - Muito interessante a experiência de vocês! Essa organização permite que o estudante participe do processo de aprendizagem assumindo diferentes papéis: executar, auxiliar, observar e avaliar.Um aspecto especialmente interessante é o estudante que avalia o avaliador, porque isso estimula a reflexão sobre os próprios critérios de desempenho e pode favorecer a metacognição: ao analisar como outra pessoa avalia, ele também passa a compreender melhor o que caracteriza um desempenho adequado. Vejo essa estratégia com grande potencial principalmente em atividades formativas e de treinamento, desde que os critérios estejam bem definidos e os estudantes recebam orientação para exercer cada um desses papéis.
- Acredito que o OSCE seja uma técnica que permite avaliação formativa, pois os estudantes aprendem durante a prova. Porém, se forem reprovados, podemos realmente dizer que não são competentes quando há tantos fatores e dificuldades que influenciam o desempenho?
Profa. Milena Colonhese - Essa é uma reflexão muito importante. Eu teria cautela em afirmar que um estudante que reprovou no OSCE “não é competente” de forma geral. O OSCE fornece uma amostra do desempenho do estudante, em determinadas competências, situações clínicas e naquele momento específico. O resultado pode ser influenciado pela amostragem das estações, dificuldade dos casos, atuação dos avaliadores, padronização, ansiedade e outros fatores relacionados à própria avaliação. Por isso, especialmente em decisões de maior impacto, é importante que o OSCE seja válido, confiável e bem planejado, com número e variedade adequados de estações e critérios de aprovação defensáveis. A reprovação indica que, naquela avaliação e segundo os critérios estabelecidos, o estudante não demonstrou o nível de desempenho esperado. Isso é diferente de afirmar que ele é globalmente incompetente. E concordo que o OSCE também pode ter um importante papel formativo: os resultados devem ajudar a identificar lacunas, orientar feedback e direcionar novas oportunidades de aprendizagem e avaliação.
- Preciso realizar um OSCE formativo antes de um somativo com conteúdo semelhante?
Profa. Milena Colonhese - Não é obrigatório realizar um OSCE formativo antes de cada OSCE somativo, mas é muito recomendável que o estudante já esteja familiarizado com o formato antes de uma avaliação de maior impacto. O OSCE formativo pode trabalhar competências e níveis de complexidade semelhantes, mas não precisa, e idealmente não deve reproduzir os mesmos casos ou conteúdos específicos da prova somativa. O objetivo é permitir que o estudante compreenda a dinâmica das estações, o tempo, os comandos, a interação com o paciente simulado e o tipo de desempenho esperado, além de receber feedback. Assim, no OSCE somativo, reduzimos o chamado “efeito novidade” e aumentamos a possibilidade de que o resultado represente a competência clínica do estudante, e não simplesmente sua familiaridade ou falta de familiaridade com o método.
SUN Virtual - Julho/2026 | Acreditação e Certificação de Centros de Simulação
- Para a certificação CHSOS, o processo é exclusivo para médicos ou biomédicos também podem se candidatar?
Dr. José Generoso: Não. A certificação CHSOS não é exclusiva para médicos. Profissionais de outras áreas, incluindo biomédicos, também podem se candidatar, desde que atendam aos critérios de elegibilidade do programa.
- Poderiam enviar o contato da Sociedade Brasileira de Simulação para possibilitar um intercâmbio e, eventualmente, uma visita para conhecê-los e aprender com a experiência deles, a partir da Colômbia?
Dr. José Generoso: Para conhecer a Sociedade Brasileira de Simulação na Saúde (SOBRASSIM), seus contatos e iniciativas, acesse https://www.sobrassim.com.br/desenvolvimento. Por esse canal, é possível buscar informações sobre intercâmbios e aproximações institucionais.
- Também gostaria de saber onde posso realizar um fellowship nas Américas. Se houver uma opção na América do Sul, seria melhor.
Dr. José Generoso: Existem diferentes instituições que oferecem programas de fellowship em simulação, especialmente nos Estados Unidos. Para consultar centros, oportunidades e requisitos, recomenda-se visitar o site da Society for Simulation in Healthcare (SSH): https://www.ssih.org.
- Por favor, poderiam informar o nome do livro citado?
Dr. José Generoso: O livro citado é “Defining Excellence in Simulation Programs”.
- A acreditação do centro pode ser realizada apenas pela Sociedade Brasileira?
Dr. José Generoso: No Brasil, o processo nacional de acreditação de centros de simulação é realizado pela Sociedade Brasileira de Simulação na Saúde (SOBRASSIM).
- O senhor acredita que uma empresa que oferece diversos cursos práticos, voltados às provas de residência, se beneficiaria com a criação de um centro de simulação oficial e acreditado?
Dr. José Generoso: Não há uma resposta simples de “sim” ou “não”. O benefício dependerá dos objetivos educacionais da empresa, do perfil dos cursos oferecidos e dos recursos necessários para manter um centro de simulação. É importante avaliar os prós, os contras e os resultados de aprendizagem esperados. Para conversar com mais detalhes, entre em contato pelo e-mail [email protected].
- Há diferença no processo de acreditação para um centro com predominância na área médica?
Dr. José Generoso: Não. As regras de acreditação são aplicadas ao centro de simulação e à estrutura do programa, e não especificamente ao perfil profissional ou à área de predominância dos alunos.
- Qual nível de inglês é necessário para a certificação provisória? Tenho interesse individual, embora faça parte de um centro universitário de simulação.
Dr. José Generoso: Para a certificação da SSH, o exame CHSE está disponível em espanhol. Os requisitos e outras informações podem ser consultados em https://www.ssih.org/chse.
- É possível realizar os processos de certificação e acreditação de forma virtual ou híbrida?
Dr. José Generoso: Sim. Na acreditação provisória da SSH, a visita é realizada virtualmente. No processo da SOBRASSIM, não há visita. Já a acreditação completa da entidade americana exige uma visita presencial da comissão avaliadora.
- Existem programas de doutorado em simulação?
Dr. José Generoso: Sim, existem programas de doutorado relacionados à simulação. A oferta e a nomenclatura variam conforme a instituição e o país, por isso é importante consultar os programas acadêmicos de interesse.
- Existem programas de mestrado em simulação?
Dr. José Generoso: Sim, existem programas de mestrado relacionados à simulação. A oferta e a nomenclatura variam conforme a instituição e o país, por isso é importante consultar os programas acadêmicos de interesse.
- A acreditação da SSH deve ser iniciada com o CORE e mais alguma área, ou é possível começar apenas com o CORE?
Dr. José Generoso: Sim. O processo de acreditação da SSH pode começar com a área CORE e mais uma área de acreditação.
- Em relação ao custo da acreditação da SSH, existem valores diferenciados para a América Latina?
Dr. José Generoso: Não. Os valores da acreditação da SSH são os mesmos para todas as regiões e são cobrados em dólares americanos.
- Os documentos e as evidências enviados no processo precisam estar em inglês ou podem ser apresentados em espanhol?
Dr. José Generoso: Os documentos e as evidências exigidos para o processo devem ser enviados em inglês.
- Você recomenda fazer o exame CHSE em inglês mesmo para quem não é falante nativo? Pelo que entendi, o exame já pode ser realizado em espanhol.
Dr. José Generoso: O exame CHSE já está disponível em espanhol, portanto pode ser realizado nesse idioma. Mais informações estão disponíveis em https://www.ssih.org/chse.
- Para obter a certificação CHSE-A, é necessário possuir previamente a certificação CHSE?
Dr. José Generoso: Sim. Para solicitar a certificação CHSE-A, é necessário possuir primeiro a certificação CHSE e ter cinco anos de experiência como educador em simulação.
- Qual é a sua opinião sobre o processo de Endorsement da INACSL?
Dr. José Generoso: Não tenho familiaridade suficiente com o processo de Endorsement da INACSL para oferecer uma orientação precisa. Recomendo entrar em contato com a professora Carolina Brandão para obter informações mais específicas.
- Como podemos consultar os custos das diferentes certificações e acreditações?
Dr. José Generoso: As informações sobre requisitos e custos estão disponíveis nos sites oficiais de cada entidade. Para a certificação CHSE da SSH, consulte https://www.ssih.org/chse. Para os processos da SOBRASSIM, consulte https://www.sobrassim.com.br/desenvolvimento.
- Quais oportunidades profissionais essa certificação pode oferecer para quem atua no Peru?
Dr. José Generoso: Não tenho informações específicas sobre o mercado de trabalho no Peru. No entanto, essa certificação pode contribuir para o desenvolvimento profissional em funções relacionadas à educação, gestão ou coordenação de programas de simulação. As oportunidades concretas dependerão dos requisitos de cada instituição.
- Sou enfermeira em um centro de simulação e percebo que me falta desenvoltura nessa área, pois minha experiência em enfermagem é mais assistencial. Por onde devo começar?
Dr. José Generoso: Uma possibilidade para desenvolver maior segurança na simulação é participar de congressos e cursos específicos da área, incluindo atividades pré-congresso. Também é recomendável buscar formação prática e acompanhamento de profissionais experientes, de acordo com seus objetivos de atuação.
- Vocês apoiam instituições formadoras de profissionais da saúde com treinamentos?
Dr. José Generoso: Sim. A SOBRASSIM pode apoiar instituições formadoras de profissionais da saúde em aspectos institucionais relacionados à simulação.
- Sou da Argentina. Onde posso obter uma certificação?
Dr. José Generoso: Para conhecer os processos de certificação individual da SSH e da SOBRASSIM, consulte https://www.ssih.org/chse e https://www.sobrassim.com.br/desenvolvimento.
- Obrigado, doutor, por compartilhar sua ampla experiência nessa área. Na Argentina, estamos próximos de concretizar as certificações. Cada instituição universitária da área de Ciências da Saúde possui um centro de simulação bem equipado em relação aos padrões exigidos.
Dr. José Generoso: Parabéns pela iniciativa e pelo avanço das instituições argentinas no processo de certificação. É muito positivo saber que os centros de simulação estão se preparando e buscando alinhamento com os padrões exigidos.
- Qual é, em média, o custo dessa acreditação?
Dr. José Generoso: Os custos variam conforme a entidade e o tipo de processo. Para obter valores atualizados e detalhes sobre taxas, recomenda-se consultar diretamente os sites oficiais da SOBRASSIM e da SSH.
- Professor, quais são os principais cursos ou certificações para quem está começando na simulação? Fiz o curso de técnico em simulação no SUN 2026 e estou no último período da graduação em Enfermagem.
Dr. José Generoso: A escolha dos primeiros cursos ou certificações depende dos seus objetivos profissionais e da área em que pretende atuar na simulação. O curso de técnico em simulação já oferece uma base importante. Para uma orientação mais específica, entre em contato pelo e-mail [email protected].
- Olá, José. Muito obrigada. Sou Esther, de Quito, Equador. Nosso centro está em processo de acreditação pela SSH. No nosso caso, podemos realizar o processo diretamente com a SSH?
Dr. José Generoso: Sim. O centro pode realizar o processo diretamente com a SSH, desde que atenda aos requisitos definidos pela entidade. Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail [email protected].
- Prezado José, uma dúvida adicional: como requisito, os professores e a equipe técnica precisam possuir as certificações CHSE e CHSOS?
Dr. José Generoso: Não há obrigatoriedade de que professores e equipe técnica possuam as certificações CHSE e CHSOS. No entanto, essas certificações podem fortalecer a reputação do centro e a qualificação da equipe.
- Prezado doutor, existem cursos para professores e equipe técnica e também para profissionais da área administrativa? Por exemplo, para um diretor que não tenha formação ou perfil médico?
Dr. José Generoso: Sim. Existem cursos voltados a professores, equipes técnicas e profissionais que atuam na gestão ou administração de centros de simulação, inclusive pessoas sem formação médica. Para avaliar as opções mais adequadas, entre em contato pelo e-mail [email protected].
- Sou formado em TI, mas não tenho experiência na área médica. A certificação seria o primeiro passo ou seria mais indicado realizar primeiro alguma ambientação, curso ou formação prévia para migrar para a área de simulação e TI?
Dr. José Generoso: A certificação tende a ser o resultado de um processo de estudo, prática e amadurecimento profissional, e não necessariamente o primeiro passo. Para quem vem da área de TI e ainda não possui experiência em saúde, recomenda-se começar por uma ambientação em simulação clínica, formação introdutória e experiência prática antes de buscar a certificação.
SUN Virtual - Fevereiro/2026 | Diretrizes AHA 2025 para RCP e ACE
- Qual a importância de atualizar as organizações de saúde com as novas diretrizes? Como fazer isso rápido?
Dr. Andrei H. Catarino - Atualizar as organizações com as Diretrizes AHA 2025 não é apenas uma questão de protocolo, mas também de segurança do paciente e de proteção jurídica.
A atualização auxilia na redução da mortalidade, pois as novas diretrizes são baseadas em evidências que mostram melhores desfechos de sobrevivência; além disso, os protocolos simplificados (como a cadeia de sobrevivência unificada) reduzem o tempo de hesitação durante a crise.
Para atualizar a organização de forma rápida, pode-se substituir palestras longas por vídeos curtos (3-5 min) enviados via WhatsApp ou plataforma interna, focando apenas nas mudanças críticas (ex: o novo protocolo de engasgo).
Também se pode realizar treinos rápidos de 15 minutos no próprio setor de trabalho (beira do leito) com um manequim. Isso foca na memória muscular sem tirar a equipe de escala por horas. E fazer a atualização de "Cards" e carrinhos de emergência.
- O sulfato de magnésio é totalmente indicado ou há alguma ressalva para pacientes com taquicardia ventricular polimórfica?
Dr. Andrei H. Catarino - A ressalva crítica é TV polimórfica com QT normal. Se o paciente apresenta TV polimórfica, mas o seu intervalo QT de base é normal, o sulfato de magnésio não é eficaz e não deve ser a terapia prioritária. Pois a causa mais provável é geralmente associada a isquemia miocárdica aguda, assim, a conduta recomendada deve ser a revascularização, o uso de betabloqueadores intravenosos ou amiodarona.
- Fiquei com dúvida sobre a atropina. Ela também sai do algoritmo da bradicardia?
Dr. Andrei H. Catarino - Não houve mudanças quanto à atropina no algoritmo de bradicardia.
- O Golpe precordial então, ele foi meio que reduzido a sua prática por causa dos seus contras, mas ainda assim é utilizado? Em algumas situações ?
Dr. Andrei H. Catarino - O golpe precordial é hoje mais visto como uma "manobra de desespero" do que como uma intervenção técnica recomendada. Não devendo ser utilizada pois os riscos superam os benefícios:
Baixa Eficácia: A taxa de conversão para ritmo sinusal é baixíssima (inferior a 2% em FV).
Risco de Trauma: Pode causar fraturas de esterno, costelas e lesões cardíacas.
Piora do Ritmo: Em alguns casos, o impacto mecânico pode converter uma TV (que ainda gera algum débito) em FV (parada total) ou assistolia.
Atraso Crítico: O tempo gasto preparando e aplicando o golpe atrasa o início das compressões torácicas de alta qualidade e a desfibrilação, que são as únicas manobras com forte evidência de sobrevivência.
- Qual tipo de estratégia tem sido mais utilizada no processo de aprendizagem de profissionais da saúde na atualidade para o desenvolvimento de competências?
Dr. Andrei H. Catarino - A estratégia predominante é a Simulação Realística de Alta Fidelidade; nela, utilizam-se manequins robóticos (como o SimMan) que imitam reações humanas (choro, sangramento, parada cardíaca). Sendo que o aprendizado acontece no Debriefing, técnica de reflexão pós-cenário onde se analisa o erro em ambiente seguro. A AHA 2025 tornou o debriefing "quente" (imediato) e "frio" (tardio) uma recomendação formal para a melhoria de performance.
- Tivemos atualizações ao paciente neonatal? São mantidas as diretrizes anteriores?
Dr. Andrei H. Catarino - Tivemos algumas atualizações; destaco as principais:
Frequência de Ventilação: para recém-nascidos que necessitam de suporte ventilatório, a frequência recomendada atualmente é de 30 a 60 incursões por minuto.
Técnica de Compressão Torácica: eliminação dos Dois Dedos: A técnica de usar apenas dois dedos (indicador e médio) no centro do tórax foi descontinuada para lactentes e neonatos. Deve-se usar a técnica dos dois polegares ao circundar o tórax. Se o socorrista estiver sozinho e precisar alternar as ventilações, pode-se usar a base de uma das mãos. Isso garante a profundidade de 1/3 do diâmetro do tórax de forma mais eficaz.
Monitoramento Cardíaco Precoce: Eletrocardiograma (ECG): A AHA 2025 reforça que o uso do ECG de 3 vias é o método mais rápido e preciso para avaliar a frequência cardíaca neonatal durante a reanimação, sendo preferível à palpação do cordão umbilical ou à ausculta.
- Qual é a recomendação para o uso de adrenalina, por favor? Entendi que houve uma mudança — você poderia especificar melhor, por favor?
Dr. Andrei H. Catarino - O uso da adrenalina durante a RCP permanece o mesmo: durante as paradas chocáveis, deve ser administrada após duas desfibrilações, e nas paradas não chocáveis, tão logo se tenha um acesso venoso, sendo repetida no intervalo de 3 a 5 minutos em ambas.
- Estamos vendo muitos avanços na medicina chinesa. Existe algum robô humanoide já em uso para RCP?
Dr. Andrei H. Catarino - Temos dispositivos de compressão mecânica (Os "Robôs" Atuais), que são
os equipamentos amplamente aceitos e utilizados em ambulâncias e hospitais de São Paulo e do mundo. Eles não têm aparência humana, mas realizam a função de um socorrista, como o AutoPulse e o LUCAS 3.
Existem protótipos de robôs com formato humanoide sendo testados para intervenção em saúde como o LAZARO, em desenvolvido pela startup Blue Robin em parceria com hospitais coreanos, esse robô humanoide está sendo projetado para atuar em ambientes de cuidado doméstico e hospitalar, com capacidade para realizar massagem cardíaca autônoma.
- Sobre a legislação que obriga professores a ter treinamento em RCP, há alguma informação?
Dr. Andrei H. Catarino - Existe a Lei Federal nº 13.722/2018, popularmente conhecida como Lei Lucas, que estabelece a obrigatoriedade de capacitação em primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino públicos e privados da educação básica, além de estabelecimentos de recreação infantil.
- Uma dúvida sobre OVE: Em caso da vítima estar sozinha, ela pode se jogar ao solo ou o protocolo sugere apenas compressão sobre a cadeira/mesa?
Dr. Andrei H. Catarino - Seguindo a diretriz da AHA, o indicado é a compressão abdominal autoinfligida, podendo-se utilizar o encosto de uma cadeira firme, o balcão ou o corrimão. Não se recomenda a técnica de "flexão" ou a de deixar o corpo cair no chão como manobra padrão para desengasgo.
- Em termos de políticas públicas e leis, qual a recomendação para a disponibilidade de DEA em ambientes com maior fluxo de pessoas ? A partir de qual fluxo é obrigatório disponibilizar o DEA?
Dr. Andrei H. Catarino - Cito como exemplo a Lei Municipal nº 14.132/2006 e o Decreto Estadual nº 56.585 de São Paulo sobre a obrigatoriedade do DEA, o equipamento deve estar disponível em:
Centros de compras (Shoppings) e hipermercados, aeroportos, rodoviárias e estações de metrô/trem, estádios de futebol, ginásios e clubes esportivos.
Além de teatros, cinemas e espaços de eventos com capacidade superior a 1.500 pessoas por dia.
Os estabelecimentos devem contar com pessoal capacitado para operar o equipamento e realizar manobras de RCP.
A fiscalização do seu descumprimento pode acarretar multas e interdição do local.
- Com relação ao engasgo, poderiam esclarecer melhor?
Dr. Andrei H. Catarino - Adultos e Crianças (acima de 1 ano).
Realizar ciclos de: 5 golpes nas costas: incline a pessoa levemente para frente e dê 5 pancadas firmes com a base da mão entre as escápulas (no meio das costas), alternando com 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich). Continuar alternando os 5 golpes e as 5 compressões até que o objeto seja expelido ou a pessoa fique inconsciente.
SUN Virtual - Junho/2025 | Educação Baseada em Competências
- Qual é a diferença entre o professor e o instrutor no design de aprendizagens?
Profa. Angelica Villarraga - Não há uma resposta unificada, o que posso dizer é que cada postulado fala sobre a importância da pessoa que "orienta" o desenvolvimento das aprendizagens e a obtenção de resultados. Assim, o INACSL fala em Facilitador (no glossário), o Consenso Global menciona o corpo docente, e a FLASIC, no consenso latino-americano, fala em Educadores. No entanto, minha resposta se direciona à pessoa que é responsável e comprometida com o ato de educar com critério e intencionalidade, e que, por sua vez, deve possuir/desenvolver competências próprias para exercer o ato de educar/avaliar com experiências baseadas em simulação.
- Na sua experiência, qual a melhor forma de mudar a cultura?
Profa. Angelica Villarraga - Estudar, praticar e persistir. Não posso ensinar simulação se eu mesmo não a pratico. É preciso ter coerência de vida entre a teoria da educação e a forma como a coloco em prática em todos os âmbitos. A isso, somam-se habilidades de liderança e de gestão, para alcançar os resultados estratégicos propostos.
- Aqui no Brasil ainda temos um hiato entre a teoria e a prática. Como professor de enfermagem, gostaria de saber como poderiamos diminuir isso?
Profa. Angelica Villarraga - A partir do Planejamento Reverso, identificar as oportunidades que a simulação oferece a partir de experiências reais, com foco nos benefícios tanto para o paciente quanto para o profissional.
- Qual seria a carga horária ideal por ano letivo de simulação clínica no desenho curricular de Enfermagem?
Profa. Angelica Villarraga - Não posso falar de um número exato, mas posso recomendar a inclusão curricular a partir da minha intencionalidade como professor/educador e do que se espera do perfil de egresso, alinhando isso à análise da carga acadêmica do estudante, com o objetivo de transformar a forma de entrega dos conteúdos e promover a aprendizagem experiencial, que já se demonstrou mais significativa.
- Como faço para estimular os docentes a se capacitarem em EBS (Educação Baseada em Simulação)?
Profa. Angelica Villarraga - Educando, ensinando pelo exemplo, persistindo… A cultura da mudança é desafiadora e difícil, mas estou convencida de que nosso papel transformador na sociedade está em buscar adeptos e conquistar espaços por meio da aprendizagem experiencial, mostrando como formar profissionais confiáveis, para que, no final, sejamos beneficiados enquanto pacientes.
- É super importante levar em conta o perfil de egresso. Em sua experiência, que estratégias podem ajudar o facilitador a trabalhar com grupos grandes de graduação? Já que alguns docentes acabam dando aula expositiva em vez de realizar simulação clínica.
Profa. Angelica Villarraga - Verificar o número de estudantes, validar o que se pretende alcançar com a simulação e analisar diferentes cenários que permitam transformar a educação por meio da simulação. Somos agentes de mudança, e isso precisa evoluir. A pergunta seria: Qual é o verdadeiro propósito da simulação?
- Como podemos ser ouvidos nas instituições sobre a aquisição de equipamentos que ajudem a tornar as simulações o mais realistas possível?
Profa. Angelica Villarraga - Talvez eu não tenha a resposta exata, mas penso que a chave está em nos tornarmos estratégicos para as instituições. No fim das contas, trata-se de desenvolver processos e pensamento inovador.
- Quanto tempo, no mínimo, a rotação (clínica/simulada) deveria durar para gerar um resultado duradouro?
Profa. Angelica Villarraga - Depende de cada instituição, de cada programa, de suas capacidades; trata-se de uma análise específica que precisa ser mensurada.
SUN Virtual - Maio/2025 | Padrões INACSL: Processo de Debriefing
- Como aplicar os padrões INACSL de debriefing em contextos institucionais com cultura pedagógica tradicional, onde há resistência docente?
Profa. Carolina Brandão - Toda e qualquer estratégia ativa enfretará resistência. O ideal será criar criar um departamento de educação permanente onde alguns docentes sejam "chaves"para sensibilizar os demais. Os padrões por si serão guias de estrutura ao ensino, mas não são capazes de sensibilizar a equipe. são. São momentos diferentes.
- Na sua experiência, quais são os erros mais frequentes cometidos por docentes que não seguem os padrões e como podemos abordá-los sem gerar conflitos?
Profa. Carolina Brandão - Penso que a ansiedade sobre não esgotar o assunto proposto gere momentos de palestra e aulas durante o debriefing. Acredito que palestrar seja até mais comum do que a possível exposição dos participantes. A abordagem se for algo pontual seria realizar o debriefing do debriefing. Quem sabe gravar e pontuar com o docente? Se não houvere esta experiência as atividades de capacitação são a mehor escolha.
- Se você tivesse que implantar um plano de intervenção em uma universidade pública que não utiliza os padrões de debriefing, por onde começaria e quais seriam as etapas prioritárias?
Profa. Carolina Brandão - Seria possível realizar uma consultoria externa? Seria possível criar um grupo docente de referência e investir na capacitação para que depois seja replicado? Ou até mesmo um líder que seja capacitado de forma externa e faça a multiplicação com a equipe?
- É possível adaptar os padrões de debriefing do INACSL sem descaracterizá-los, visando facilitar a aceitação por docentes mais conservadores? Se sim, como?
Profa. Carolina Brandão - Não, acho que adaptações são realizadas em relação a infraestrutura e investimento, quando se fala da metodologia imagino que isso possa gerar vícios que atrapalhem a melhor prática e retenção do conhecimento.
- É necessário fazer o debriefing em uma área diferente de onde o cenário ocorreu ou ele pode ser feito no mesmo local?
Profa. Carolina Brandão - Tanto faz, se não houver uma sala específica não há nenhum problema ser realizado no ambiente do antendimento.
- Quais dilemas éticos podem surgir durante um debriefing e como devem ser manejados?
Profa. Carolina Brandão - Diversos dilemas éticos podem ocorrer no debriefing. Se houver descontrole o que pode ser feito é você como facilitador interromper o processo ético instalado e retomar o objetivo do cenário. O objetivo do cenário será o seu guia. De qualquer forma será provável que você tenha que solicitar um feedback privado ao estudante que gerou o conflito. Se for um caso que impulsione a dilema seria interessante com co debriefing especializado na temática. Minha sugestão é que voc6e estude também o artigo enviado sobre debriefing difícil que aborda algumas estratégias.
- Como se pode avaliar o impacto do debriefing na aprendizagem em contextos com recursos limitados ou com práticas educacionais tradicionais?
Profa. Carolina Brandão - Não existe debriefing com recursos limitados. Existe apenas a realização dele sem o recurso áudio visual, o que não afetará bom desempenho a ponto de não ocorrer reten'cão do conhecimento. Não há problemas em realizar práticas tradicionais!!!! Não são excludentes, a depender do contexto podem ser muito interessantes.
- Qual é a proporção de tempo ideal utilizada entre a simulação e o debriefing?
Profa. Carolina Brandão - Em geral podemos considerar entre o dobro do tempo do cenário e até no máximo 45 minutos para não estender demais e perder o objetivo central.
- Sobre a presença de atores, dos pacientes simulados no debriefing: é recomendado, é útil ou é melhor que não ocorra? Muito obrigada pelo belo evento!
Profa. Carolina Brandão - De forma geral eu não faço a inclusão do ator no debriefing. O que acho interessante é que o ator faça um feedback direto aos participantes após o término do cenário e que pode ou não ser compartilhado no debriefing com os demais participantes. Se for um objetivo 100% comportamental sugiro que você direcione a participação do ator, pois apesar de comportamental há uma estrutura a ser seguida e a sensação dele não deve ser o centro da discussão.
- Estou complementando a simulação com a simulação por meio de software. Você recomenda isso?
Profa. Carolina Brandão - É desejável sim, mas eu não acho que seja mandatório, mas acredito no grande potencial, particularmente em cenários procedimentais.
- Vocês têm algum curso voltado para Ciências Morfológicas?
Profa. Carolina Brandão - Curso específico não, mas a simulação pode e deve ser aplicada em diferentes contextos. Neste caso será mais válido estudar inicialmente técnicas de simulação primeiro para verificar qual seria aplicável. Conhece escape room?
- A senhora nos falou sobre quando escolher algum tipo de debriefing. Qual é o seu conselho em relação a qual debriefing escolher, de acordo com o tipo de prática e com os estudantes?
Profa. Carolina Brandão - Considero qualquer um dos trifásicos adequados para alunos (eu uso mais o GAS), os multifásicos eu uso mais o PEARLS no geral. Para interprofissional recomento co debriefing, para in situ recomento o TALK Debriefing e para racicinio clínico em enfermagem o DML debriefing.
- Feedback é individual? Ou pode ser coletivo também?
Profa. Carolina Brandão - Do ponto de vista conceitual o feedback pode ser realizado em grupos. Entretanto na educação em saúde, o feedback é mais voltado a performance e desempenho e neste contexto ele acaba sendo mais valorizado em situações individuais/somativas. Em grupo acaba sendo mais valioso trabalhar debriefing e /ou reflexão guiada.
SUN Virtual - Março/2025 | Padrões INACSL: Aplicação dos padrões de melhores práticas na EBS
- Frequentemente você fala sobre formação básica pelo instrutor de simulação, qual seria esta formação básica? Algum treinamento específico em simulação clínica?
Profa. Dolores Latugaye: Quando falo em formação básica, refiro-me à capacitação mínima necessária para realizar o design, implementação e avaliação de uma atividade de simulação. No entanto, o conteúdo da formação mínima não está padronizado nem descrito em nenhum lugar.
- Que software de gestão vocês utilizam?
Profa. Dolores Latugaye: Atualmente, estamos utilizando um software de gestão criado pela empresa Ademsys. Compartilho o contato de um dos fundadores da empresa, a quem você pode escrever: [email protected].
- Como estabelecer indicadores de qualidade em relação à simulação clínica?
Profa. Dolores Latugaye: Para mim, os melhores indicadores de qualidade são justamente os padrões de boas práticas. Nesse sentido, é importante que a instituição defina quais elementos de cada um dos padrões ela pretende alcançar em determinado tempo como indicador de qualidade de qualquer atividade de ensino baseada em simulação. É importante que esses indicadores sejam conhecidos por todos os envolvidos nas experiências de simulação clínica para alcançar maior aderência e sucesso.
- Essas normas podemos encontrar aonde? Porque existem poucas publicações.
Profa. Dolores Latugaye: Faça já o download dos Padrões INACSL de Melhores Práticas aqui: https://laerdal.com/br/information/inacsl-download/
- Qual a diferença entre simulação clínica e simulação realística?
Profa. Dolores Latugaye: A simulação clínica deve ser realista, ou seja, deve representar da melhor forma a própria realidade. Por isso, também se fala no conceito de realismo da simulação, que está relacionado com a medida em que aquilo que é apresentado por meio da simulação se assemelha à realidade.
- Onde eu poderia estudar uma especialização em simulação?
Profa. Dolores Latugaye: Atualmente existem várias propostas formativas. Pessoalmente, eu optaria por algum curso de pós-graduação na área, se você tiver a possibilidade. Há algumas propostas virtuais, com encontros presenciais; ou propostas de modalidade 100% presencial.
- Um ponto importante do endosse da INACSL é o debriefing. Devemos utilizar um método recomendado por vocês, dentre a grande variedade que existe, ou é valorizado que se cumpram todas as etapas, independentemente de qual seja?
Profa. Dolores Latugaye: Concordo com você que atualmente existem diferentes estilos de debriefing. A evidência não indica se algum estilo é melhor ou mais recomendado que outro. Nesse sentido, os padrões da INACSL e, portanto, o processo de endorsement, entendo que não podem exigir um único estilo de debriefing, mas sim avaliar em que medida se promove uma conversa reflexiva estruturada após a atividade de simulação.
- Qual a opinião da palestrante quanto ao uso da Moulage em participante simulado ao invés do uso dos simuladores de alta fidelidade?
Profa. Dolores Latugaye: Realmente, não tenho uma opinião formada sobre isso. Acho que a resposta para a sua pergunta seria: depende do objetivo de aprendizado. Do meu ponto de vista, o importante é que os "recursos" disponíveis para os participantes sejam os necessários para alcançar seus objetivos de aprendizado. Se o uso de moulage contribui para isso, bem-vindo! Se ele prejudicar e tirar o realismo, eu não recomendaria.
- Como se vincula o manejo técnico no uso dos simuladores, de forma que façam parte do padrão em Simulação, e como vocês fazem isso?
Profa. Dolores Latugaye: Não entendo muito bem a que você se refere com o manejo técnico. De toda forma, o padrão de operações inclui todos os processos, recursos (materiais e humanos), normativas, etc., que são utilizados em toda experiência de simulação. Dessa forma, esse padrão inclui as pessoas que desempenham o papel de técnicos em qualquer espaço de ensino baseado em simulação.
- Uma grande dificuldade por sermos formados com metodologia antioga, sem simulação, teoria e depois no paciente real, e tbm o investimento é muito alto, com os simuladores. O que vc sugeria de inicio, simuladores de baixa e media fidelidade. Eu estou desenvolvendo alguns para facilitar o aprendizado com meus alunos.
Profa. Dolores Latugaye: Obrigada pela sua pergunta e parabéns pelo entusiasmo e criatividade! De fato, hoje em dia existem mais recursos para a implementação do ensino baseado em simulação, embora geralmente sejam recursos caros. Sugiro que você desenhe um plano estratégico para poder estabelecer objetivos para o(s) curso(s). É muito difícil definir por onde começar sem conhecer e entender onde vocês estão, para onde querem ir com o ensino baseado em simulação e qual é o contexto institucional. Mil desculpas!
- Para esses padrões todos os entes são avaliados?
Profa. Dolores Latugaye: Os padrões não avaliam elementos, mas cada padrão é composto por critérios que depois se desdobram em diferentes elementos. O processo de endorsement, que avalia em que medida os programas que utilizam simulação seguem os 4 padrões mencionados, provavelmente avalia cada um dos elementos que compõem cada critério.
- É possível aplicar essa mesma estratégia para realidade virtual? Ou seja, os passos de prebriefing e debriefing?
Profa. Dolores Latugaye: De fato, é possível implementar os padrões de boas práticas na simulação virtual. Não tenho muita experiência nesse tipo de modalidade, mas a maioria dos elementos de cada critério se aplicaria perfeitamente. Claro, não só é possível, como também eu diria que deve ser feito o prebriefing e o debriefing na simulação virtual.
SUN Virtual - Outubro/2024 | Projeto Ostelina: Treinamento de RCP em Equipes Pediátricas de Hospitais Argentinos
- Começa com 2 insuflações e depois 15 compressões?
Dr. Diego Sebastián Enriquez - A diferença entre as diretrizes europeias e norte-americanas é que as primeiras começam com a abertura da via aérea - 5 ventilações efetivas e depois ciclos de 15 compressões por 2 ventilações. As norte-americanas começam com 15 compressões alternadas com 2 ventilações.
- Qual foi a avaliação da ventilação no caso clínico específico e intubação, em relação ao tempo empregado?
Dr. Diego Sebastián Enriquez - No artigo que cito está a explicação completa (é importante lê-lo!) https://www.analesdepediatria.org/es-evaluacion-intubaciones-endotraqueales-una-unidad-articulo-S1695403322002247
- As equipes de alto desempenho estabelecidas na competição conseguiram fazer uma capacitação extensiva em suas instituições? Entendendo a dificuldade de não contar com a retroalimentação da Ostelina.
Dr. Diego Sebastián Enriquez - Sim, conseguiram, pois de alguma forma deixamos em doação a Ostelina (de forma contínua ou itinerante, programada a cada 2-3 meses).
SUN Virtual - Setembro/2024 | Treinamento para Salvar Vidas em Obstetricia
- Quais são as melhores ferramentas para avaliar os resultados de aprendizado da simulação em obstetrícia?
Dr. Mauricio Vasco: Existem várias modalidades, sempre definindo o que queremos avaliar, se são habilidades psicomotoras ou simulação na zona 2-3. Abaixo vários artigos para adaptar o que melhor se ajuste ao seu currículo:
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- Evaluating an obstetrics and gynecology teaching program for medical students incorporating simulation-based education underpinned by cognitive load theory > https://www.frontiersin.org/journals/medicine/articles/10.3389/fmed.2024.1304417/full
- Simulation Training and Skill Assessment in Obstetrics and Gynecology > https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560508/
- Simulation-Based Education for Enhancing Obstetric Emergency Response: A Needs Impact Evaluation > https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10512433/
- Nós, como líderes de equipes de saúde, como podemos inculcar esse compromisso para ajudar mais comunidades?
Dr. Mauricio Vasco: Através do exemplo, com mentoria e liderança, realizar pequenos pilotos que demonstrem benefício e sucesso e, em seguida, avançar para projetos maiores.
- Qual é sua experiência em levar esse treinamento a áreas menos favorecidas (recursos, mobilidade)? A tele-simulação seria uma opção? Dado que a repetição da prática é importante, por que o presencial seria melhor?
Dr. Mauricio Vasco: É um conjunto de estratégias, a combinação do teórico (presencial ou apoiado em tecnologias da informação), somado a práticas de habilidades psicomotoras e não técnicas que podem ser assistidas virtualmente ou não, e depois espaços de prática repetitiva; é muito importante formar campeões locais para a replicação, cursos de "train of trainers" são fundamentais. Abaixo artigos com estratégias de implementação:
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- Telesimulación en la formación en medicina perioperatoria desde la perspectiva colombiana. > https://www.medigraphic.com/pdfs/simulacion/rsc-2021/rsc213e.pdf
- Lifesaving solution dramatically reduces severe bleeding after childbirth. > https://www.who.int/news/item/09-05-2023-lifesaving-solution-dramatically-reduces-severe-bleeding-after-childbirth
- Hospital padrino: a collaborative strategy model to tackle maternal mortality: a mixed methods study in a middle-income region > https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(24)00032-2/fulltext
- Como fazer com que os professores da área clínica se incorporem de maneira mais ativa às ferramentas que a simulação nos oferece em todas as suas etapas, quando estão tão arraigados a um tipo de ensino tradicional e diretamente com o paciente?
Dr. Mauricio Vasco: Oferecendo oportunidades para se treinarem nessas novas modalidades de aprendizado em programas de qualificação docente, criando tempo protegido para trabalho em instituições hospitalares, independente do trabalho clínico, realizando treinamento interprofissional e criando consciência de que ser um bom especialista clínico não nos torna automaticamente um bom docente para treinamento baseado em simulação.
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Agradeço pela excelente apresentação dos conteúdos. Qual vocês consideram a melhor estratégia para simulações em equipes multidisciplinares, pensando em estimular a autoconfiança profissional?
Dr. Mauricio Vasco: É muito importante manter todos os componentes do processo de planejamento do cenário simulado, gerar um ambiente de segurança psicológica e proporcionar debriefing com bom julgamento; sem preconceito, isso é importante para estimular a reflexão e gerar autoconfiança.
SUN Virtual - Junho/2024 | Uma Experiência sobre a Abordagem Baseada em Dados na Educação com Simulação em Medicina
- Obrigado por este webinar. Os dados introduzidos no modelo preditivo e na análise de competências são baseados apenas em diretrizes e rubricas de avaliação?
Dra. Sandra Jaramillo: O modelo apresentado atualmente é simulado, ou seja, não possui dados reais. No entanto, o modelo em desenvolvimento baseia-se no framework conceitual de sucesso acadêmico de Huh et al. (https://nces.ed.gov/npec/pdf/kuh_team_report.pdf). Por motivos de confidencialidade, não podemos fornecer as variáveis específicas utilizadas pela equipe de pesquisa para avaliar o processo.
- Qual programa estatístico você utiliza para análise?
Dra. Sandra Jaramillo: Pyton - Panda o R.
- Vocês já tiveram a oportunidade de verificar se as medições nas atividades de simulação estão correlacionadas com o desempenho desses estudantes em práticas clínicas?
Dra. Sandra Jaramillo: Essa é uma pergunta bastante comum. Infelizmente, realizar essas medições é difícil devido ao controle de variáveis, conforme mostrado na literatura. Existem algumas revisões sistemáticas que examinam o impacto da simulação e evidenciam melhorias nos tempos de aquisição de habilidades técnicas, segurança e satisfação. Dados semelhantes são encontrados para habilidades não técnicas, mas com um impacto menor. No entanto, quando se trata do impacto nos desfechos clínicos, não há evidências de melhoria nos desfechos importantes (morte, complicações, etc.). Isso ocorre porque as habilidades na vida real são complexas e exigem mais do que apenas o desempenho adequado de uma habilidade técnica ou não técnica. É um tema interessante. Recomendo a leitura: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1876139922000548.
- Você pode me mencionar o autor que aborda a avaliação curricular em educação em saúde?
Dra. Sandra Jaramillo: van der Vleuten, C. P., Schuwirth, L. W., Driessen, E. W., Dijkstra, J., Tigelaar, D., Baartman, L. K., & van Tartwijk, J. (2012). A model for programmatic assessment fit for purpose. Medical teacher, 34(3), 205–214. https://doi.org/10.3109/0142159X.2012.652239.
- À medida que os alunos avançam nos semestres, o cenário em termos de complexidade varia em relação ao OSCE.
Dra. Sandra Jaramillo: A complexidade aumenta em algumas competências, mas o raciocínio clínico é adaptado aos tópicos de avaliação, assim como o nível de desempenho esperado (a rubrica pode ser a mesma, mas o nível de desempenho esperado é diferente, então é necessário graduar a pontuação). Por exemplo, um desempenho de 68% em comunicação de um estudante iniciante pode ser adequado, mas para um estudante avançado, provavelmente esse desempenho corresponderia a um 4, enquanto para o estudante avançado corresponderia a um 3,2.
SUN Virtual - Abril/2024 | Abordagem prática sobre a viabilidade econômica do Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE)
- Há um número recomendado de itens para o checklist em uma OSCE em que cada estação tenha 5 minutos?
Profa. Milena Colonhese - Olá, para uma estação de 5 minutos, o recomendado seria em torno de 3 a 4 tarefas.Com isso você terá um cheklist de aproximadamente 8 itens. Tudo isso também vai depender do tipo de tarefa que ele tem a cumprir.
- Você valida os cenários com o grupo de instrutores ou facilitadores envolvidos e com um grupo externo?
Profa. Milena Colonhese - Não valido os cenários com comissão externa. Apenas validei para a coleta de dados da minha pesquisa.
- Você acha uma boa ideia que o aluno conheça detalhadamente a lista de verificação de avaliação? Quanto detalhe essa diretriz deve ter?
Profa. Milena Colonhese - Você quer dizer após a avaliação? Aqui na nossa escola ele só tem acesso ao cheklist se ele solicitar por algum motivo de revisão de nota, mas ele tem o direito. Porém, quando o estudante tem acesso ao gabarito temos que ter cuidado em não repetir a prova para outros grupos.
- Gostaria de saber que tipo de ferramenta de avaliação tem sido desenvolvida no check-list: cumpriu/não cumpriu, satisfatório /insatisfatorio, likert com nível de completude e acuracia / qualidade da intervenção, competências por nível da formação?
Profa. Milena Colonhese - Pode-se trabalhar de várias maneiras. Fez/fez parcial e não fez. Adequado, parcial,inadequado. Não tem um único modelo. Avaliações formativas costumam ter cheklist mais globais, ou em disciplinas em que são avaliadas exclusivamente habilidade de comuniação, como por ex. Saude Mental.
- Profa Milena, gostaria que falasse sobre as vantagens do OSCE on-line na coleta de dados, que você está estudando em seu do doutorado.
Profa. Milena Colonhese - Uma das grandes vantagens foi que consigo avaliar um número maior de estudantes em um menor tempo, sem a necessidade de vários docentes presencialmente. Uma outra vantagem é que, como as estações são gravadas, não corre o risco de intervenção nem do avaliador e nem do paciente simulado como acontece muitas vezes no OSCE presencial. Mas não substitui o OSCE presencial, acredito que seja um apoio.
- Pode colocar 3 a 4 competências no mesmo consultório?
Profa. Milena Colonhese - Sim, dá para colocar. Mas você tem que avaliar o tempo que você tem por estação.
- Estou interessado em saber se todos os 30 alunos que devo avaliar em um curso em um período de 2 horas. Minha pergunta é sobre a organização, como devo fazer, e se todos os alunos devem passar por todas as estações, considerando que há apenas 2 professores disponíveis.
Profa. Milena Colonhese - Em um OSCE quanto maior o número de estações maior é a validade e sim todos os alunos devem passar pelas 2 estações no caso. Se você trabalhar com estações de 6 minutos + 1 minuto para leitura vai levar em média 15 minutos para cada 2 alunos. Dependendo do nível do estudante e do conteúdo a ser aplicado, pode-se pensar em diminuir o tempo para 4 minutos talvez.
- Eu gostaria de saber quais as dimensões ideais para cada estação e os equipamentos necessários para a estruturação de cada estação.
Profa. Milena Colonhese - Tudo depende do seu espaço físico para caber uma maca, mesa e 2 cadeiras, com pia e torneira. Os demais materiais irão depender do tipo de estação, geralmente urgência e emergência, pediatria, cirurgia utilizamos mais simuladores, muitas vezes acabamos fazendo híbrido. Mas não precisa ser salas muito grandes, as minhas são de 10 m2. Não sei se te respondi.Qualquer coisa entre em contato.
- Parabéns pela palestra! poderia fazer OSCE por disciplina com 3 ou 4 estações? ou necessariamente preciso de várias disciplinas?
Profa. Milena Colonhese - Sim com certeza, você pode fazer ao final de cada disciplina/estágio individualmente ou um grande OSCE abordando as 3 por exemplo. Aí você faria 9 estações, 3 de cada disciplina.
- Qual a metodolgia e ferramenta que está usando para fazer a osce online?
Profa. Milena Colonhese - Chama Grande Porte. Mas a Laerdal tem uma plataforma interessante chamada SimCapture, um sistema de gerenciamento de aprendizagem para simulação e formação na área de saúde, que permite que você gerencie, registre e avalie com eficácia o treinamento de simulação, tanto no local quanto in-situ.
- Em sua recomendação para garantir a segurança e qualidade em uma situação sumativa, existem mudanças se o feedback for imediato ou diferido para o final. Obrigado.
Profa. Milena Colonhese - Acredito não ter diferença. Para o feedback individual logo após cada estação, o avaliador tem que ser muito bem treinado e você tem que dispor de um tempo a mais. Porque dependendo da maneira que for dada o feedback o estudante pode ser desestabilizado para prosseguir a prova e ai sim ser prejudicado.
SUN Virtual - Março/2024 | Experiência Digital na Educação
- Estes elementos virtuais são adequados para estudantes de auxiliar de enfermagem ou possuem um foco específico de acordo com a área em que atuam?
Profa. Vivian Alessandra Silva - O MedRoom Anatomy pode ser utilizado para qualquer carreira. Traz um atlas de anatomia que pode ser adaptado pelo docente para qualquer tema ou curso. Quanto ao MedRoom Patient, é possível utilizar a anamnese e o exame físico para as carreiras de enfermagem, nutrição e fisioterapia. Entretanto a parte de diagnóstico e tratamento é médico. O software não dispões de cenários com diagnóstico de enfermagem, fisioterapia e nutrição.
- Como é validada a experiência do participante em relação ao cenário e sua semelhança com a realidade?
Profa. Vivian Alessandra Silva - A validação dos cenários é realizada por uma junta de quatro médicos, que testam todas as possibilidades do cenário. Após, o cenário passa pela validação de um grupo de estudantes e pessoas da área de TI.
- É para um aluno de cada vez ou pode ser em equipe?
Profa. Vivian Alessandra Silva - A simulação com tecnologia VR pode ser adaptada tanto para um aluno de cada vez como para trabalho em equipe. Alguns programas de simulação VR permitem que vários usuários interajam e colaborem em um ambiente virtual compartilhado, proporcionando a oportunidade de praticar habilidades em equipe e melhorar a comunicação e coordenação. No entanto, isso pode depender da versão do software ou plataforma específica que você está utilizando. Apenas um aluno pode usar os óculos, mas os outros alunos também podem ver e participar por meio de uma tela remota.
- Não é possível perguntar por voz também?
Profa. Vivian Alessandra Silva - Será lançada uma versão que utiliza somente o recurso de voz para o MedRoom. Entretanto, em pesquisa com usuários, alunos iniciantes relataram que gostam de ter a lista de perguntas à disposição, pois isso lhes ajuda a aprender a fazer uma boa anamnese. Desta maneira, nos casos clínicos voltados para estudantes de primeiro ciclo, manteremos as perguntas escritas.
- Neste caso, esses óculos podem ser conectados a telas ou sistemas que permitem ao grupo e ao professor ver em tempo real o que o colega está trabalhando?
Profa. Vivian Alessandra Silva - Sim, é possível ver e escutar a cena através do notebook que acompanha os Oculus, e, ainda, conectar o notebook a um sistema multimidia para visualização em uma grande tela.
- Já foi avaliado (ou comparado) o valor clínico de estudar com IA versus com um paciente real?
Profa. Vivian Alessandra Silva - Sim, recomendo as seguintes leituras: Meese MM, O'Hagan EC, Chang TP. Healthcare Provider Stress and Virtual Reality Simulation: A Scoping Review. Simul Healthc. 2021 Aug 1;16(4):268-274. doi: 10.1097/SIH.0000000000000484. PMID: 32890319; Tyler R, Danilova G, Kruse S, Pierce A. Innovations Through Virtual Reality Simulation. Mo Med. 2021 Sep-Oct;118(5):422-425. PMID: 34658433; PMCID: PMC8504510.
- É possível modificar os casos e/ou elaborar novos casos?
Profa. Vivian Alessandra Silva - Os casos tem um número definido de desfechos.
- Eu entendo que as novas ferramentas de aprendizado são empolgantes, mas concordo que a formação docente nesse tema e o uso responsável podem ser desafiadores. Isso também acontece na Escola de Enfermagem ao aplicar a Simulação Clínica com simuladores convencionais.
Profa. Vivian Alessandra Silva - A formação docente representa um aspecto essencial para a implementação dos recursos tecnológicos para os estudantes em Saúde. Sobre este tema recomendo a leitura: https://joint-research-centre.ec.europa.eu/digcompedu/digcompedu-framework_en
SUN Virtual - Junho/2023 | Aprendizagem híbrida no treinamento de RCP Básica e Avançada em Adultos e Pediatria
- Como motivar os alunos, com um modelo inclusivo, que garanta uma aprendizagem significativa?
Profa. Danissa Magliona Halles - Para motivar os estudantes nesta nova metodologia, considero uma boa estratégia mostrar as vantagens que ela possui: método interativo, adaptação ao nível de conhecimento de cada aluno, progresso de acordo com o ritmo do aluno, feedback sobre aspectos ou temas a reforçar, método audiovisual de aprendizagem, entre outros. Também podem recorrer à experiência de outros alunos com a metodologia: os estudantes se sentem mais confiantes, seguros e preparados para a sessão prática etc.
- A seção teórica foi autodidata ou com um instrutor online?
Profa. Danissa Magliona Halles - A parte teórica do curso é online e autoguiada; portanto, não requer um instrutor até o momento da sessão prática. A plataforma oferece um aprendizado interativo com base nos conhecimentos prévios do aluno e nos que são incorporados à medida que ele avança no curso. Permite o aprendizado no próprio ritmo do aluno. Além disso, inclui o Manual BLS e algoritmos para leitura e consulta.
- As aulas teóricas foram por zoom? Eles mostraram apenas os vídeos da AHA ou adicionaram outro material?
Profa. Danissa Magliona Halles - Os cursos HeartCode BLS, ACLS e PALS contêm todo o conteúdo necessário para realizar a sessão prática com sucesso. Na sessão prática, cada uma das habilidades necessárias é reforçada com a ajuda do instrutor e utilizando o vídeo específico do Curso BLS, ACLS ou PALS, o qual é preparado para cada ambiente em que o aluno atua (intra ou extra-hospitalar). Os cursos HeartCode CLS e PALS também são complementados com a autoavaliação online.
- Quantas pessoas podem ser avaliadas ao mesmo tempo?
Profa. Danissa Magliona Halles - Os cursos HeartCode seguem o padrão da AHA (American Heart Association): 1 instrutor a cada 6 alunos. Portanto, o número de pessoas capacitadas dependerá do número de instrutores, número de manequins e tamanho da sala.
- Qual é a duração do curso?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS: parte teórica: 1,5 horas. Parte presencial: 3 horas.
ACLS: parte teórica: 6 horas. Parte presencial: 6 horas.
PALS: parte teórica: 7 horas. Parte presencial: 6 horas.
- A parte virtual é assíncrona dentro dos cursos?
Profa. Danissa Magliona Halles - Sim, a parte teórica é assíncrona, o que significa que se adapta ao tempo e ritmo de aprendizagem do aluno.
- Qual a porcentagem de tempo destinada à construção do conhecimento conceitual e do conhecimento prático no curso?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS (Suporte Básico de Vida): Conhecimentos conceituais - 1,5 horas. Conhecimentos práticos - 3 horas.
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): Conhecimentos conceituais - 6 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria): Conhecimentos conceituais - 7 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
Para obter mais detalhes, você pode consultar os seguintes sites: www.heart.org, laerdal.com, ou revisar os planos de lições da disciplina existentes no ATLAS ou no manual do provedor de BLS, ACLS e PALS.
- Que outra forma poderia ser agregada às aulas para manter os alunos mais atentos e participativos, e como avaliar as habilidades finais?
Profa. Danissa Magliona Halles - Eu considero que a metodologia híbrida dos cursos HeartCode não precisa incorporar nenhuma aula adicional, uma vez que mantém a atenção e participação espontânea dos alunos, especialmente nas ocasiões em que são discutidas vivências, experiências e protocolos locais.
- Os instrutores dedicam tempo integral ao treinamento? Quantas horas eles gastam?
Profa. Danissa Magliona Halles - Em nosso Centro de Treinamento, temos 2 instrutores dedicados exclusivamente à capacitação em HS, BLS, ACLS e PALS, de segunda a sexta-feira, das 08h às 17h. Além disso, contamos com 7 instrutores de apoio para as 4 disciplinas.
- Uma vez que as pessoas tenham sido treinadas, como o retreinamento é sustentado ao longo do tempo?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS (Suporte Básico de Vida): Conhecimentos conceituais - 1,5 horas. Conhecimentos práticos - 3 horas.
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): Conhecimentos conceituais - 6 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria): Conhecimentos conceituais - 7 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
Para obter mais detalhes, você pode consultar os seguintes sites: www.heart.org, laerdal.com, ou revisar os planos de lições da disciplina existentes no ATLAS ou no manual do provedor de BLS, ACLS e PALS.
Quantas pessoas podem ser avaliadas ao mesmo tempo?
Profa. Danissa Magliona Halles - Os cursos HeartCode seguem o padrão da AHA (American Heart Association): 1 instrutor a cada 6 alunos. Portanto, o número de pessoas capacitadas dependerá do número de instrutores, número de manequins e tamanho da sala.
- Como é mantida a qualidade da execução técnica?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS (Suporte Básico de Vida): Conhecimentos conceituais - 1,5 horas. Conhecimentos práticos - 3 horas.
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): Conhecimentos conceituais - 6 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria): Conhecimentos conceituais - 7 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
Para obter mais detalhes, você pode consultar os seguintes sites: www.heart.org, laerdal.com, ou revisar os planos de lições da disciplina existentes no ATLAS ou no manual do provedor de BLS, ACLS e PALS.
- Esse modelo que a colega do Chile está comentando foi feito no Chile ou foi obtido na AHA?
Profa. Danissa Magliona Halles - Os cursos HeartCode BLS, ACLS e PALS contêm todo o conteúdo necessário para realizar com sucesso a sessão prática. Durante a sessão prática, cada uma das habilidades necessárias é reforçada com a ajuda do instrutor e utilizando o vídeo específico do Curso BLS, ACLS ou PALS, o qual é preparado para cada ambiente em que o aluno atua (intra ou extra-hospitalar). Além disso, os cursos HeartCode CLS e PALS também são complementados com autoavaliação online.
- Entendo que o curso é da AHA, ele já tem o formato híbrido?
Profa. Danissa Magliona Halles - Sim, a parte teórica é assíncrona, o que significa que se adapta ao tempo e ritmo de aprendizagem do aluno.
- Como é recuperado o conhecimento prévio dos alunos?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS (Suporte Básico de Vida): Conhecimentos conceituais - 1,5 horas. Conhecimentos práticos - 3 horas.
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): Conhecimentos conceituais - 6 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria): Conhecimentos conceituais - 7 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
Para obter mais detalhes, você pode consultar os seguintes sites: www.heart.org, laerdal.com, ou revisar os planos de lições da disciplina existentes no ATLAS ou no manual do provedor de BLS, ACLS e PALS.
- Sou instrutor, como faço para acessar a modalidade híbrida?
Profa. Danissa Magliona Halles - Você pode acessar comprando o curso do fornecedor da sua cidade ou país. Além disso, você pode consultar o Coordenador do seu Centro de Treinamento, caso eles ofereçam o curso como parte da formação de seus instrutores.
- A parte pediátrica também é fornecida?
Profa. Danissa Magliona Halles - O curso HeartCode BLS inclui treinamento em RCP para adultos, crianças e lactentes com 1 e 2 socorristas. O curso HeartCode PALS inclui treinamento em RCP básica e avançada para crianças e lactentes.
- Qual a quantidade recomendada para grupos que fazem treino híbrido?
Profa. Danissa Magliona Halles - Tudo dependerá do número de instrutores que você tenha disponível para realizar o treinamento, levando em consideração que a regulamentação da AHA (American Heart Association) é de 1 instrutor para cada 6 alunos, e os grupos nos cursos HeartCode ACLS e PALS são compostos por um máximo de 6 a 7 alunos para os módulos de habilidades e a prática de MegaCode. Dessa forma, cada grupo poderá cumprir os papéis de líder, responsável pela via aérea, compressões, monitor desfibrilador, registros e administração de medicamentos. Em grupos de 7 pessoas, é possível adicionar o papel de supervisor de RCP.
- Para obter uma excelente prática onde devo fazer?
Profa. Danissa Magliona Halles - Para realizar a prática, você não precisa estar empregada; basta consultar os Centros de Treinamento em seu país para verificar se estão aceitando inscrições externas ou se é restrito apenas a funcionários do hospital ou instituição afiliada. E, é claro, você precisa ter entusiasmo e estudar o material de apoio.
- Os profissionais que trabalham na Clínica Alemã do Chile têm que pagar por essa certificação?
Profa. Danissa Magliona Halles - Os funcionários e profissionais de saúde que trabalham na Clínica Alemã realizam esses cursos de forma gratuita, e o tipo de curso que devem fazer (BLS, ACLS, PALS) está associado à área de atuação do funcionário (urgências, unidades de cuidados intensivos, unidades médico-cirúrgicas, ambulatórios etc.). Isso é definido institucionalmente em nossas Políticas de Capacitação em RCP.
- Onde posso comprar este programa interativo? É da AHA?
Profa. Danissa Magliona Halles - Você pode acessar comprando o curso do fornecedor da sua cidade ou país. Além disso, você pode consultar o Coordenador do seu Centro de Treinamento.
- No dia a dia tenho visto pouca adesão a esse tipo de aprimoramento, reciclagem. Na experiência de vcs, é oferecido algum tipo de benefício ou bônus para que os profissionais façam o curso? O que tem feito para sensibilizar os profissionais a participarem?
Profa. Danissa Magliona Halles - Para motivar os estudantes nesta nova metodologia, considero uma boa estratégia mostrar as vantagens que ela possui: método interativo, adaptação ao nível de conhecimento de cada aluno, progresso de acordo com o ritmo do aluno, feedback sobre aspectos ou temas a reforçar, método audiovisual de aprendizagem, entre outros. Além disso, eles podem recorrer à experiência de outros alunos com a metodologia: os estudantes se sentem mais confiantes, seguros e preparados para a sessão prática, entre outros benefícios.
- Fiz uma cotação dos cursos de BLS/ACLS e vejo que tem um custo alto, quantas horas práticas o instrutor deve receber?
Profa. Danissa Magliona Halles - Isso dependerá do valor da hora do instrutor que o seu centro tenha, em geral.
- Como enfermeiro, como posso entrar neste projeto para fazer o curso de SBV para BP? Ainda é possível? Atuo no SUS.
Profa. Camilla do Rosario Nicolino - Este projeto se aplica somente aos auxiliares e técnicos de enfermagem.
- Gostaria de saber como está a carreira de cinesiologia atualmente?
Profa. Danissa Magliona Halles - Isso depende das diretrizes e currículo do curso, de acordo com a instituição de estudo (universidade), e políticas ministeriais de saúde e formação acadêmica dos profissionais de saúde.
- Quantas horas são online e quantas são presenciais em BLS, ACLS E PALS? A avaliação teórica é online ou presencial?
Profa. Danissa Magliona Halles - A duração aproximada dos cursos HEARTCODE é a seguinte:
BLS (Suporte Básico de Vida): Conhecimentos conceituais - 1,5 horas. Conhecimentos práticos - 3 horas.
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): Conhecimentos conceituais - 6 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria): Conhecimentos conceituais - 7 horas. Conhecimentos práticos - 6 horas.
Para obter mais detalhes, você pode consultar os seguintes sites: www.heart.org, laerdal.com, ou revisar os planos de lições da disciplina existentes no ATLAS ou no manual do provedor de BLS, ACLS e PALS.
- Os participantes podem acessar a página HeartCode por 2 anos?
Profa. Camilla do Rosario Nicolino - Sim, o curso fica disponível por 02 anos para acesso, tanto online quanto prático. Entretanto o ecard uma vez emitido, não será renovado neste intervalo. O acesso é para consulta e revisão do conteúdo.
- Os custos de planejamento dos cursos foram os mesmos? Do ponto de vista orçamentário, não nos importamos, ainda mais considerando o acesso virtual. Você poderia falar sobre isso?
Profa. Camilla do Rosario Nicolino - O custo presencial e à distância ficam semelhantes, e como ponto de maior impacto foi a disponibilidade da teoria para acesso posterior, além do e-book, e a possibilidade de otimizar o deslocamento desse aluno para a conclusão da etapa prática agregando nesse momento mais discussões.
- Quando os participantes são novos, eles não têm nenhuma experiência em RCP, como foi essa experiência?
Profa. Danissa Magliona Halles - A experiência foi excelente, divertida pelas vantagens próprias da aprendizagem híbrida e porque as pessoas que não têm nenhuma experiência geralmente são jovens e estão acostumadas a essa metodologia de treinamento, com tecnologia online, modalidade assíncrona, educação virtual e plataformas de ensino. Eles podem controlar o seu tempo de estudo de acordo com seu ritmo e disponibilidade de tempo.
- Sou Enfermeira de Educação Continuada em um Hospital Público de pequeno porte, e vejo um desafio frequente quanto à motivação para realizar dois treinamentos. O que significa que você poder ministrar principalmente para os treinamentos de BLS e ACLS?
Profa. Camilla do Rosario Nicolino - É importante levantar a necessidade desse treinamento para esses profissionais e como sugestão aliar junto às lideranças a valorização do treinamento de maneira a proporcionar condições para que esse profissional realize o curso e assim o valorize. Aliado a isso entendo que a realização de simulados in situ podem abrir as portas para que eles identifiquem a necessidade de treinamento e assim quando vier o cronograma faça sentido a organização.
- O que o BLS inclui?
Profa. Danissa Magliona Halles - O curso HeartCode BLS inclui os seguintes tópicos:
-
- Conteúdo teórico online e certificado de aprovação da etapa teórica.
- RCP básica em adultos, crianças e lactentes, com 1 e 2 socorristas.
- Ventilações com dispositivo bolsa-máscara de bolso.
- Características e uso do DEA em adultos e pacientes pediátricos.
- Dinâmica eficaz de equipe.
- Obstrução das vias aéreas por corpo estranho em pacientes conscientes e inconscientes.
- Avaliação prática de RCP em adultos e crianças (1 e 2 socorristas).
SUN Virtual - Maio/2023 | Padrões de Simulação em Saúde da INACSL: uma abordagem global e interdisciplinar
- Os custos da simulação limitam o acesso de instituições. Como você lida com o conflito de interesses dos vendedores de simulação ao mesmo tempo em que educa e forma?
Profa. Eliana Escudeiro - Embora esse tema não faça parte da minha apresentação, vou responder, pois ele abrange várias áreas. Existem instituições que possuem normas e regulamentos a esse respeito, e nesses casos é preciso segui-las. Há posições em que não se pode estar em ambos os lados. No entanto, assim como eu fiz no início, é importante declarar se existem ou não conflitos de interesse. A ética é muito clara nisso, e todas as instituições de ensino possuem comitês onde é possível fazer as consultas necessárias.
- Como começo a percorrer esse caminho? Como faço para aprender desde o início?
Profa. Eliana Escudeiro - Escolha um curso para obter uma formação básica. Procure por formadores que sejam reconhecidos por sua experiência, responsabilidades na área e que tenham evidências que respaldem seu conhecimento. Hoje em dia, as empresas já sabem como assessorar, fornecendo nomes e instituições, ou simplesmente solicitando seus currículos. É importante identificar até onde você deseja avançar no tema da educação e simulação.
- Como faço para conseguir os livros que a senhora recomendou (Padrões, etc.)?
Profa. Eliana Escudeiro - A maioria dos documentos que mencionei em minha apresentação tem acesso através dos sites indicados. Tanto as universidades como os hospitais possuem bibliotecas e muitas vezes é possível acessar os sites onde esses artigos estão disponíveis.
- Como eu me associo ao INACSL?
Profa. Eliana Escudeiro - Através do site > https://www.inacsl.org/join-inacsl-today
- Como pode fazer parte dessas redes de simulação?
Profa. Eliana Escudeiro - É preciso se tornar membro das sociedades mais importantes. Ao ser membro, existem benefícios cruzados, e você receberá e-mails com informações de vários tipos e convites para participar de diferentes atividades.
- Como se pode se vincular à rede de pesquisa em simulação?
Profa. Eliana Escudeiro - Não existe especificamente uma rede de pesquisa em simulação que eu conheça. As sociedades possuem comitês ou grupos de interesse, então é preciso procurar aquela que mais se adeque às linhas de pesquisa do pesquisador.
- Qual é a diferença entre o Debriefing (padrão v1) e o Processo de Debriefing (padrões atualizados v2)?
Profa. Eliana Escudeiro - A principal diferença é que na versão 1, o debriefing tinha pouca flexibilidade, não era possível combinar modelos e seu foco era no resultado do debriefing. Na versão 2, o importante é todo o processo que o aluno percorre para alcançar a meta. Não importa o modelo utilizado, mas requer evidências teóricas, científicas e disciplinares, além de muita flexibilidade, sendo que o debriefing vai além do seu término.
- Quanto custa a certificação? É possível pesquisar na página da INACSL?
Profa. Eliana Escudeiro - Você pode encontrar todas as informações neste link > https://inacsl.memberclicks.net/healthcare-simulation-standards-endorsement
- De que custos estamos falando?
Profa. Eliana Escudeiro - Isso depende do país, então sugiro verificar o site > https://inacsl.memberclicks.net/healthcare-simulation-standards-endorsement
- O tipo de fidelidade do simulador está relacionado com a melhoria do ensino ou nem sempre? Deve ter certo realismo ou fidelidade, mas depende do objetivo que desejo alcançar?
Profa. Eliana Escudeiro - O simulador é apenas mais um recurso da simulação, é a ferramenta para desenvolver minha atividade educativa.
- Entendo que os resultados mais comuns estão nos primeiros níveis do Modelo de Kirkpatrick. Você tem conhecimento de evidências nos níveis superiores?
Profa. Eliana Escudeiro - Há experiência em anestesiologia com resultados muito bons, você pode revisar, por exemplo, os artigos de Marcia Corvetto e prática deliberada. Thomas Bettancourt também tem trabalhado nisso.
- Conhecendo as limitações que temos em nossos países em relação ao número de facilitadores, técnicos, recursos, etc., como você acredita que os Centros de Simulação podem seguir os padrões e qual é a visão dos padrões da INACSL em relação a essa limitação?
Profa. Eliana Escudeiro - É mais complexo, mas acredito que não é impossível. O primeiro passo é que toda a equipe, mesmo que seja pequena, integre o uso dos padrões. Realizar o projeto, estabelecer a missão e visão. Escrever as normas, os processos, etc., tudo vai se somando e formando o portfólio que se tornará o modelo de trabalho. A partir daí, estabelecem-se as estratégias e seus indicadores que devem ser revisados e melhorados anualmente.
- Obrigado por compartilhar conosco com tanta clareza o conteúdo de cada um dos padrões. Imagino que a realidade das instituições presentes seja muito variada.
Profa. Eliana Escudeiro - Totalmente variada, e isso torna isso interessante, pois aprendemos muito com todas elas.
- Muito obrigado pela apresentação. Existe um grupo de simulação em odontologia?
Profa. Eliana Escudeiro - Sim, existem experiências em odontologia, ainda pouco comuns na América Latina.
- Quais experiências você conhece sobre simulação em saúde pública?
Profa. Eliana Escudeiro - A pergunta é muito interessante, pois a saúde pública é um campo muito amplo. Não há muita publicação sobre isso, mas é possível trabalhar em alguns temas em nossos países. Eu já trabalhei com temas de visitas epidemiológicas em enfermagem e atenção domiciliar, e tive bastante sucesso. Seria importante entender quais objetivos e áreas você deseja desenvolver. Você pode me escrever para o meu e-mail. Às vezes, não há muita disposição nesse campo, essa foi a minha experiência.